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Círculo de Dierick Bouts (c. 1410-1475) Flandres, c. 1465
Têmpera e óleo (?) sobre madeira transpostos para tela 27,3 x 34,4 cm Inv.º 628

Nesta obra, a concepção espacial, organizada através de uma construção trapezoidal inovadora, permite estabelecer entre todos os elementos da composição uma estreita ligação. Pode afirmar-se, assim, que o significado da pintura se revela a partir da interpretação das relações emergentes do seu conteúdo simbólico.
A ordem do visível remete o observador para o domínio da espiritualidade – a luz que anuncia o Salvador, a pomba que assinala a presença do Espírito Santo, a “cruz” que prenuncia a Paixão -, preocupação que corresponde à finalidade essencial de toda a pintura religiosa. A paisagem, ainda que povoada de detalhes realistas à maneira flamenga, obedece, também ela, a uma estética fundamentada na esfera do sagrado: é para a árvore da vida que convergem numerosas linhas de fuga e é no muro do jardim, alusão ao Paraíso, que o pavão, símbolo da vida eterna, aparece posicionado.
A impassibilidade serena das figuras elegantes, representadas num interior do século XV, corresponde a uma característica singular do estilo de Bouts.
Proveniência / Bibliografia |
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